Mendelssohn, duas sinfonias
Jovem gênio alemão filho de banqueiros e sobrinho de filósofo, Jacob Ludwig Felix Mendelssohn dominava a música a ponto de, aos nove anos, executar concertos. Viveu pouco, mas o tempo de construir obra de rara beleza. A Sinfonia No. 5 é considerada sua obra-prima.
Pelo volume de sujeira que as vassouras da ordem urbana de Eduardo Paes levantaram numa primeira investida, imagine-se o que ainda vem por aí. Se apenas no Recreio dos Bandeirantes serão demolidos 35 imóveis, por irregulares, faça a conta, leitor, do que pode existir nas áreas protegidas pelas tropas de Conde e Cesar Maia.
Ganham cadeira, gabinete e assessores nesta quinta-feira os 50 vereadores mais caros do país. Custam por ano R$ 304 milhões e jamais devolveram em serviços quantia que, ao menos, passasse perto do que tomam do suado bolso do carioca. A qualidade do que trabalho que prestam pode ser medida pelo desastre urbano que cobre o Rio.
Embora muitas vezes não saibam nem de onde tirar o dinheiro, como na administração Paes, tornou-se vício dos novos governantes cobrir com tinta pensamento e obra dos antecessores. Como se o sucesso das novas administrações dependesse mais da paleta dos pintores que da competência dos eleitos. Ainda bem que a História nos protege.
Prática antiga nos pardieiros da assistência pública de saúde, como os hospitais de emergência do município do Rio, a tentativa de desviar pacientes para clínicas e consultórios particulares chegou a um centro de excelência científica e tecnológica: o Inca. A natureza solerte da doença e as longas filas são argumentos fortes sobre o paciente.
A Cidade da Música não nasceu dos delírios do prefeito, mas na prancheta de Lucio Costa. Só que o mago do urbanismo não a planejou para engolir quase dois milhões de reais por mês, enquanto o restante da cidade sucumbe ao abandono. Curioso é ver que Cesar Maia sempre arranja obra grande quando está para desocupar a cadeira.
“Onde andam os movimentos sociais, tão solidários consigo mesmo?”, pergunta um amigo, a propósito da tragédia produzida pelas enchentes em Santa Catarina. É verdade. A lista dos ausentes pode ser interminável e permite lembrar que já tivemos primeira-dama menos preocupada com botox e vestidos e mais com o conforto dos brasileiros.
O atentado contra Nadinho de Rio das Pedras é apenas a resposta ao ataque da mesma natureza que sofreu a viúva de Felix Tostes, chefe da milícia que controla a favela. Nada diferente das guerras entre famílias da máfia ou traficantes de quadrilhas rivais. O domínio das milícias sobre as favelas já teve apoio até do prefeito Cesar Maia.